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Tutoriais

Quatro percursos, do primeiro diagrama à física além do Modelo padrão. Cada um leva uns dez minutos; os números citados são os que o TreeLevel mostra.

1. e+e−→μ+μ−e^+e^-\to\mu^+\mu^-: um primeiro cálculo e depois o pico do Z

Os dois diagramas de e+e- → μ+μ-
  1. Documento novo (⌘NCtrl Nbotão Criar documento do navegador). Na paleta, o modelo StandardModel já está selecionado; deixe o sentido do tempo em tempo →.
  2. Ferramenta Vértice: clique duas vezes na área de desenho, à esquerda e à direita, para pôr dois vértices.
  3. Ferramenta Linha, partícula γ\gamma: arraste do vértice da esquerda para o da direita. É o propagador do fóton.
  4. Partícula e−/e+e^-/e^+: arraste do vazio, embaixo à esquerda, até o vértice da esquerda — a paleta anuncia “entra um e−e^-”. Repita a partir de cima à esquerda: a flecha do fluxo fermiônico vai subir o tempo e a perna será lida como um e+e^+ entrante. (A ordem em que você traça as duas pernas não importa: o que conta é o sentido da flecha.)
  5. Partícula μ−/μ+\mu^-/\mu^+: arraste do vértice da direita para o vazio, em cima à direita (μ−\mu^- saindo), e depois do vazio embaixo à direita até o vértice (a flecha volta ao vértice: μ+\mu^+ saindo).
  6. Olhe a aba Análise: Processo: e−e+→μ−μ+e^-e^+\to\mu^-\mu^+, Diagrama coerente. Se a análise apontar um vértice inexistente, uma das pernas está sendo lida ao contrário: selecione-a e marque Antipartícula, ou leve a extremidade dela para o outro lado do vértice.
  7. Abra Regras de Feynman e amplitude: o vértice −ieγμ-ie\gamma^\mu duas vezes, o propagador −igμν/(p1+p2)2-ig_{\mu\nu}/(p_1+p_2)^2, os espinores vˉ(p2)…u(p1)\bar v(p_2)\ldots u(p_1) e uˉ(p3)…v(p4)\bar u(p_3)\ldots v(p_4).
  8. Aba Cálculo: s=40 GeV\sqrt s = 40\ \mathrm{GeV}, Calcular. σ=62,3 pb\sigma = 62{,}3\ \mathrm{pb}. Confira na mão: σ=4πα2/3s\sigma = 4\pi\alpha^2/3s com α=1/127,9\alpha = 1/127{,}9 (o valor do modelo em MZM_Z) e 1 GeV−2=3,894×108 pb1\ \mathrm{GeV^{-2}} = 3{,}894\times10^8\ \mathrm{pb} dá 62,3 pb62{,}3\ \mathrm{pb}.
  9. Volte à paleta e clique em Gerar › Acrescentar os diagramas que faltam: aparece o diagrama com o Z — e também as trocas de h e de G0G^0, proporcionais a mem_e e desprezíveis (a opção Sem troca de escalares do menu Gerar evita-as). O cálculo passa a ser o da soma.
  10. Traçado em função da energia: de 40 a 200 GeV, 300 pontos, escala logarítmica, Traçar. O pico do Z culmina em 1 979 pb1\,979\ \mathrm{pb} em s=MZ=91,19 GeV\sqrt s = M_Z = 91{,}19\ \mathrm{GeV}, com a largura ΓZ=2,495 GeV\Gamma_Z = 2{,}495\ \mathrm{GeV} declarada no modelo. A curva passa por um mínimo perto de 70 GeV70\ \mathrm{GeV} (25 pb25\ \mathrm{pb}) antes de subir para a ressonância; a interferência γ\gamma–Z, proporcional aos pequenos acoplamentos vetoriais gVg_V, fica discreta na σ\sigma total — onde ela se vê é na assimetria frente-trás.

Para ir além: em Análise, acione ⟨|ℳ|²⟩ analítico com massas nulas omitidas: só o termo do fóton devolve o clássico e4(t2+u2)/s2e^4(t^2+u^2)/s^2. Desenhe em seguida Bhabha (e+e−→e+e−e^+e^-\to e^+e^-): dois diagramas, um sinal relativo e uma seção de choque total que exige um corte ∣cos⁡θ∣≤0,9|\cos\theta|\le0{,}9.

2. A vida média do múon

Decaimento do múon
  1. Documento novo, modelo StandardModel. Ponha dois vértices.
  2. Linha W+/W−W^+/W^- entre os dois vértices: um W virtual.
  3. Partícula μ−/μ+\mu^-/\mu^+: arraste do vazio, à esquerda, até o primeiro vértice (μ−\mu^- entrando). Partícula νμ\nu_\mu: arraste do primeiro vértice para o vazio (νμ\nu_\mu saindo).
  4. No segundo vértice: e−e^- saindo (do vértice para o vazio) e νˉe\bar\nu_e saindo — trace a perna do vazio até o vértice para que a flecha suba o tempo.
  5. Verifique em Análise: μ−→νμe−νˉe\mu^-\to\nu_\mu e^-\bar\nu_e, coerente. Um erro clássico é traçar o νˉe\bar\nu_e como partícula: o vértice ve e W~ pedido não existe, e o inspetor lista os vértices vizinhos que existem (ve~ e W, e~ ve W~) — ou seja, há uma perna a inverter.
  6. Aba Cálculo: o decaimento é de três corpos, o espaço de fases é integrado exatamente (Dalitz). Γ=3,007×10−19 GeV\Gamma = 3{,}007\times10^{-19}\ \mathrm{GeV}, τ=2,19 μs\tau = 2{,}19\ \mu\mathrm s, T1/2=1,52 μsT_{1/2} = 1{,}52\ \mu\mathrm s. O valor medido é 2,197 μs2{,}197\ \mu\mathrm s; a diferença vem das correções radiativas, ausentes em nível de árvore.

Variante: no modelo Hadrons, desenhe n→pe−νˉen\to pe^-\bar\nu_e por troca de W (τ=946 s\tau = 946\ \mathrm s em nível de árvore com gA=1,27g_A = 1{,}27, contra 879 s879\ \mathrm s medidos) ou π+→μ+νμ\pi^+\to\mu^+\nu_\mu, que tem apenas um vértice de contato.

3. e+e−→W+W−e^+e^-\to W^+W^-: gerar, somar e ver o cancelamento de gauge

  1. Documento novo. Ponha dois vértices e trace as pernas externas: e−e^- e e+e^+ entrando à esquerda, W−W^- e W+W^+ saindo à direita (partícula W+/W−W^+/W^-: traçada do vértice para o vazio, a linha é um W+W^+ saindo; do vazio para o vértice, isto é, contra o tempo, um W−W^- saindo). Não desenhe ainda nenhuma linha interna.
  2. Gerar › Substituir por todos os diagramas em nível de árvore: quatro diagramas — troca de γ\gamma, de Z, de h (desprezível, ∝me\propto m_e) e de νe\nu_e no canal tt.
  3. Aba Cálculo, s=200 GeV\sqrt s = 200\ \mathrm{GeV}: σ=19,2 pb\sigma = 19{,}2\ \mathrm{pb}, como no LEP (17 pb17\ \mathrm{pb} medidos, com correções radiativas).
  4. Apague o diagrama do neutrino (selecione-o na lista, −) e recalcule: 18,1 pb18{,}1\ \mathrm{pb}. Quase nada muda… a 200 GeV200\ \mathrm{GeV}.
  5. Traçado em função da energia, de 170 a 1 000 GeV, escala logarítmica: sem o neutrino, σ\sigma cresce (118 pb118\ \mathrm{pb} a 500 GeV500\ \mathrm{GeV}, 385 pb385\ \mathrm{pb} a 1 TeV1\ \mathrm{TeV}); com os quatro diagramas, decresce como deve (7,1 pb7{,}1\ \mathrm{pb} a 500 GeV500\ \mathrm{GeV}, 2,4 pb2{,}4\ \mathrm{pb} a 1 TeV1\ \mathrm{TeV}). É o cancelamento entre os diagramas de gauge, e a razão de ser dos acoplamentos de três bósons do Modelo padrão.

4. Além do Modelo padrão: SU(5) e o MSSM

SU(5): um bóson que transforma quarks em léptons

X → u u e X → e+ d̄
  1. Escolha o modelo SU5. A paleta ganha dois bósons, X (carga 4/34/3) e Y (1/31/3), tripletos de cor, de massa 1015 GeV10^{15}\ \mathrm{GeV}.
  2. Desenhe X→uuX\to uu: um vértice, X entrando, dois u saindo. Análise: coerente, com o fator de cor εabc\varepsilon_{abc} na regra — um vértice que viola o número bariônico.
  3. Cálculo: Γ(X→uu)=4,17×1012 GeV\Gamma(X\to uu) = 4{,}17\times10^{12}\ \mathrm{GeV}. Desenhe X→e+dˉX\to e^+\bar d: a mesma largura. As razões de ramificação 12/12\tfrac12/\tfrac12 são as de Georgi–Glashow; para Y você encontrará 12 (ud), 14 (e+uˉ), 14 (νˉdˉ)\tfrac12\ (ud),\ \tfrac14\ (e^+\bar u),\ \tfrac14\ (\bar\nu\bar d), e ΓY=ΓX\Gamma_Y = \Gamma_X, como convém a dois membros de um mesmo dubleto.
  4. Desenhe uu→e+dˉuu\to e^+\bar d e gere: três diagramas (X no canal ss, Y nos canais tt e uu). Em s=2×1015 GeV\sqrt s = 2\times10^{15}\ \mathrm{GeV}, σ=7×10−26 pb\sigma = 7\times10^{-26}\ \mathrm{pb}; a aba Análise dá a expressão simbólica completa em s,t,MX,MYs, t, M_X, M_Y.

O arquivo do modelo (aba Teoria) mostra como se escrevem esses acoplamentos: bilineares ψTCγμPLχ\psi^TC\gamma^\mu P_L\chi com a matriz de conjugação de carga CC. Veja a página Teorias.

MSSM: importar um UFO

e+e- → neutralino neutralino
  1. Baixe a pasta UFO MSSM_SLHA2 do banco de modelos do FeynRules (ou qualquer modelo UFO que venha com o MadGraph). Na paleta, botão 📁 Importar uma pasta UFO, escolha a pasta.
  2. Um segundo depois: “UFO importado: 50 campos, 822 vértices”. O modelo aparece em Meus modelos, e a paleta lista neutralinos, charginos, squarks, sléptons e o gluíno, com seus códigos PDG (1000022 para χ~10\tilde\chi^0_1…).
  3. Desenhe e−e+→χ~10χ~10e^-e^+\to\tilde\chi^0_1\tilde\chi^0_1 (duas pernas n1 saindo; o neutralino é de Majorana, não há antipartícula) e depois Gerar: troca de Z no canal ss, de e~L\tilde e_L e e~R\tilde e_R nos canais tt e uu.
  4. Cálculo em s=500 GeV\sqrt s = 500\ \mathrm{GeV}: σ=269 fb\sigma = 269\ \mathrm{fb} no ponto SPS1a, dentro da faixa dos estudos para um colisor linear. Os papéis de linha e coluna dos espinores externos mudam de um diagrama para outro: o TreeLevel aplica as regras de fluxo fermiônico de Denner, e o resultado não depende da orientação escolhida.